Wednesday, April 18, 2012

Antero de Quental: homenagem Google





Antero de Quental | Google doodle
www.google.com

Verdade! Hoje Google homenageia o poeta e filosófo português Antero de Quental no seu 170º Aniversário.

Depois de celebrar Fernando Pessoa, uma nova homenagem a outro grande poeta (e filsósofo) de língua portuguesa.

Ligado à poesia realista e simbolista com as Odes Modernas (1865) que se integram no programa de modernização da sociedade portuguesa desenvolvido pela "Geração de 70", à qual pertence.

Mas é nos Sonetos Completos (1886), que o melhor da sua poesia emerge, cruzando o simbolismo de timbre ainda romântico com a poesia de ideias e com a reflexão filosófica, na expressão de conflitos íntimos e sociais que pessoalmente o levarão ao suicídio. 

Neste género literário, o soneto, Antero de Quental é equiparado a Camões e a Barbosa du Bocage.

Como já escrevi, fez parte da chamada "Geração de Setenta", grupo que pretendia renovar a mentalidade portuguesa, e participou nas "Conferências do Casino". Foi amigo, entre outros, de Eça de Queirós e Oliveira Martins. 

As suas obras vão da poesia à reflexão filosófica: Raios de Extinta LuzOdes ModernasPrimaveras Românticas, Sonetos, Prosas e Cartas.


Educação

A homenagem de Google, ligação às novas gerações, provocará certamente a curiosidade dos estudantes mais jovens.

Poderia ser então ponto de partida para uma interessante introdução ao autor num mês que é profundamente dedicado aos livros, à poesia, à literatura em geral

Entre o Dia Internacional do Livro Infantil  (blogue educativo língua portuguesa) ou International Children's Book Day e World Book and Copyright Day falar de Antero de Quental e da sua poesia poderá ser uma excelente motivação para  o posterior aprofundamento do estudo da obra do autor.





Relembro a Colecção Antero de Quental que a Biblioteca Nacional de Portugal disponibiliza online. É um um excelente recurso digital para o estudo do autor, num nivel mais avançado (ensino secundário).


"A proposta de navegação pela Colecção de Antero de Quental, que agora se disponibiliza em linha, assenta na estrutura da inventariação dos espólios literários utilizada no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea que distribui os textos em função da autoria e da tipologia dos documentos. Adaptando esse princípio à especificidade do acervo, inicia-se com os seus “manuscritos”, propondo de seguida a leitura das “cartas do autor” para, por último, introduzir o navegador num conjunto de documentos em que o próprio Antero é tema e não agente directo, a correspondência de terceiros."

Para possível desenvolvimento de projecto transdisciplinar - currículos Música e Literatura Portuguesa - há uma belíssima obra do compositor português Luís de Freitas Branco, talvez a mais elevada personalidade musical da sua geração e uma das maiores da música portuguesa.

Trata-se do Poema Sinfónico "Antero de Quental" que poderá levar a um estudo de enriquecimento curricular, integrado na perspectiva universal.





"Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeízação da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas."

Joly Branca Santos


Para concluir esta minha curta abordagem que poderá ser desenvolvida pela adaptação  aos currículos escolares que cada professor lecciona, aqui deixo um dos sonetos de Antero de Quental:


Solemnia Verba


Disse ao meu coração: Olha por quantos 
Caminhos vãos andámos! Considera 
Agora, desta altura, fria e austera, 
Os ermos que regaram nossos prantos... 

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos! 
E a noite, onde foi luz a Primavera! 
Olha a teus pés o mundo e desespera, 
Semeador de sombras e quebrantos! 

Porém o coração, feito valente 
Na escola da tortura repetida, 
E no uso do pensar tornado crente, 

Respondeu: Desta altura vejo o Amor! 
Viver não foi em vão, se isto é vida, 
Nem foi demais o desengano e a dor. 


" O espírito percebe o universo, não adaptando-se a ele, mas adaptando a si o universo, tal como ele se nos apresenta, é, no fundo uma criação do espírito: se existe para nós, é porque o concebemos: aparece-nos, não reflectido na consciência, mas verdadeiramente visto nela."

Antero de Quental

Education:

This is a publication about an important Portuguese writer (Realism), Antero de Quental that we teach in Secondary Education.

The Google Doodle celebrating Antero de Quental can be an interesting digital resource to introduce the author in Literature curriculum.


G-Souto

18.04.2012
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Referências:

Colecção Antero de Quental |BN
http://purl.pt/14355/1/

Luís de Freitas Branco
http://www.musicweb-international.com/classrev/2001/Nov01/Branco.htm

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