Wednesday, November 15, 2017

Escolas : Ler em Português : Agustina Bessa-Luís






Agustina Bessa Luís
créditos: RTP

"Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Escrever é corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida."

Agustina Bessa-Luís, 'Contemplação Carinhosa da Angústia


É verdade! Continuo a escrever menos em Português. Segundo o perfil de leitores, assim vou escrevendo. Estados Unidos é o país de onde chegam a maioria substancial de leitores, seguido de França, e agora mais Portugal. Por isso, escrev em inglês, em francês e também em português.

Tenho escrito em portugês com mais frequência. Sobretudo quando se trata de introduzir leituras. Casa sempre. acerca de escritores lusofónos ou traduzidos para a nossa língua e que fazem ou poder fazer parte dos currúculos escolares.

Foi o caso de Vasco Graça Moura, Manuel António Pina. E ultimamente de escritores mundiais cujas obras de literatura juvenil têm sido traduzido para português: William Faulkner e Dan Brown, apenas para enunciar os útimos.

Mas hoje, é momento de escrever sobre Agustina Bessa Luís e algumas das suas obras leccionadas nas escolas portuguesas, em diferentes níveis de escolaridade.

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Agustina Bessa Luís
créditos: André Carrilho

Agustina Bessa Luís celebrou no passado dia 16 Outubro, 95 anos. Na impossibilidade de parabenizar a autora pessoalmente, ficam aqui os votos sinceros através de alguns dos livros que são lidos nos currículos de Língua Portuguesa (ensino básico, 2º e 3º ciclos) e nos currículos de Literatura (ensino secundário).

Admiro Agustina, não só pela obra como pela pessoa. Tive o imenso privilégio de a conhecer, de conviver um pouco e de dialogar por mais do que uma vez.




Agustina Bessa Luis
créditos: Jarbas Oliveira/Divulgação
http://cultura.estadao.com.br/noticias/

“Não encontram em mim uma lógica dos significados. Sou uma pessoa que não tem correspondência com este conhecimento da natureza humana que é transmitido através de códigos de informações”

Agustina, in Jornal Ilustrado, 1991

Relembrar Agustina e a livraria onde nos encontrámos muitas vezes - Agustina gostava de conversar com seus leitores, tinha um trato afável, e desenvolvia facilmente um diálogo a propósito de livros, vida, factos, pessoas.

Acontecia ao final da tarde, depois das aulas. Fazia a minha ronda pelos livros. E as nossas conversas eram de grande importância para uma leitora como eu.

Posteriormente, fui a sua casa convidá-la a participar numa pequena cerimónia de literatura e música do curso de Literatura Portuguesa (ensino secundário) na Escola Profissional de Música do Porto, fundada pela Professora Hélia Soveral.






Notas biográficas:

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922. A sua infância e adolescência foram passadas nessa região, cuja ambiente marcará fortemente a obra da escritora.

Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando até ao momento com mais de meia centena de obras. 

É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea.

"Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático."

Agustina Bessa-Luís foi distinguida com os prémios Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004, o mais alto galardão das letras portuguesas, o Prémio Eduardo Lourenço (2015), entre muitos outros. 

Recursos:


Ver vídeo da minha colega de curso, Dra Fátima Marinho, sobre Agustina, A Sibila e outras obras 




Agustina Bessa Luís

Ensino:

Falar de Agustina a quem foi atribuido o Prémio Camões, 2004, e que tantos de nós lemos com os alunos nos currículos de Língua Portuguesa, ou de Literatura Portuguesa, por gosto e admiração - mais do que por obrigação de cumprimento de programas de leitura 'obrigatórias' - tantas vezes tão descontextualizadas do perfil actual dos nossos alunos, é-me muito grato.

É essencial fazer uma selecção pessoal de obras que poderão ser adaptadas ao perfil/turma que cada professor lecciona, embora os exames nacionais nos limitem.



A Sibila
Agustina Bessa Luis
https://www.fnac.pt/

Relembrar Agustina faz parte do meu mundo afectivo ligado aos livros. Naquele ano, talvez 2006. líamos A Sibila no curso de Literatura Portuguesa (ensino secundário) da Escola Profissional de Música do Porto, fundada pela Professora Hélia Soveral.

Em nome dos alunos e em meu, fiz o convite a Agustina para participar numa singela cerimónia literatura & música.

Acedeu com simpatia ao convite. Compareu na escola à hora prevista. E em diálogo feito de palavras e música, através de Sibila, falou dos seus livros. A Sibila (obra estudada na turma) e de outros livros e temas. Um dia que ficou na memória de todos nós.

Alguns dados: A Sibila

A Sibila é um romance que olha de frente para o ser humano, sem o subtrair aos costumes, às tradições enraizadas - família, comunidade, religião - e ao preconceito em que cada ser se molda.

É através deste olhar que surge Quina, a Sibila, uma personagem única na sua complexidade, onde "o humano é exemplo desse redemoinho de forças, através do qual se abre um conflito - o conflito de estar vivo e o que isso implica de luta, aceitação e incomunicabilidade."





A Sibila
Agustina Bessa Luis
Guimarães Editores

O título remete para as figuras clássicas das 'sibilas', como a Delfos, a mais célebre de todas. O título do romance remete para a protagonista Joaquina Teixeira - Quina. O livro não narra a história do nascimento à morte da protagonista, mas conta a vida de duas gerações anteriores da família Teixeira e de uma posterior e, ainda de outras famílias e amigos próximos desta.

A Sibila é uma das primeiras obras 'feministas' (no bom termo do que isso possa implicar, até porque Agustina detestava a palavra 'feminista') da literatura portuguesa.

Não se pode falar de escritoras que contribuíram para o repensar da condição feminina sem reflectir sobre a obra de Agustina Bessa-Luís.

O romance venceu o Prémio Delfim Guimarães e o Prémio Eça de Queiroz.

Níveis de ensino:

Ensino Secundário e Ensino Profissional.



Agustina Bessa-Luís

Mas há outros livros que podem ser estudados nos curriculos escolares. Enumero apenas algumas obras de Agustina para estudar no ensino básico:



Vento, Areia e Amoras Silvestres
Agustina Bessa Luís
Vento, Areia e Amoras Bravas de Agustina Bessa Luís, obra recomendada para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma, pelo Plano Nacional de Leitura.

Resumo:
«Vento, Areia e Amoras Bravas» é um título interactivo. Todo ele mexe e convida a dançar e arrasta o movimento da juventude que depois vai conduzir à idade adulta. A toga vai suceder à sandália e o cinto desatado, que correspondem à história radiosa de Lourença.

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Vento, Areia e Amoras Silvestres
Agustina Bessa Luís
Lourença não quer esquecer a infância nem o vento furibundo que tenta dispersar os pequenos sinos da salvação mais espirituosa, a salvação da descoberta.

Volta Dentes de Rato como uma gota de azougue imóvel na palma da mão. Estará imóvel ou apenas encantada? Veremos. Veremos… que as histórias são para explicar estas coisas. A leitura fez-se para encher o silêncio de mágica.

Livro encantador que remete para a minha própria infância e que li com turmas de 8º e 9º anos nas aulas curriculares de Língua Portuguesa.

Vento, Areia e Amoras Silvestres foi uma das nossas conversas na livraria onde nos encontrámos na livraria da cidade. E como já o tinha lido, solicitei à escritora se o autografava, pedido de imedito aceite. Uma dedicatória muito afectuosa que partilhei mais tarde com os alunos quando estudámos a obra.

Níveis de ensino:

Ensino Básico: 3º ciclo.




Dentes de Rato
Agustina Bessa Luís

Sinopse:

Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um infeliz para aprender,tinha algumas dificuldades, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível.

O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aventura bonita, e conhecia gente maravilhosa...

Assim começa este livro que Agustina Bessa-Luís escreveu para os leitores mais novos. Se lermos um pouco mais, ficamos a saber por que razão Lourença era conhecida como "Dentes de Rato" e muitas outras coisas.

As últimas edições têm ilustração de Mónica Baldaque, neta da escritora. O livro é um clássico da literatura infantil e juvenil portuguesa. E os alunos aderem com gosto à obra.

Níveis de ensino:

Ensino Básico : 2º e 3º ciclos.




As Meninas
Agustina Bessa-Luís
ilustrações: Paula Rego
Guerra & Paz, 2008

"A obra de Paula Rego parte das Meninas como um barco para o país da utopia."

Agustina Bessa-Luís

Do encontro de Paula Rego e Agustina Bessa-Luís surgiu uma obra única, As Meninas. 

Aclamado pela crítica, o livro regressa às livrarias, em novo formato. 

«Nunca tinha lido nada da Agustina Bessa-Luís. Só agora é que a estou a ler. E escreve muito bem. Tem uma escrita extremamente visual. Vêem-se imagens muito fortes no livro.»

Paula Rego, in Expresso

Níveis de ensino:

Ensino Básico : 2º ciclo.

Outras obras para estudo em currículos escolares:





Fanny Owen
Agustina Bessa-Luís

Fanny Owen com prefácio de Hélia Correia é uma obra que se adapta bem aos currículos de 9º e 10º anos.

"Pois nele se realiza aquele encontro, proibido pelas leis do devir físico, entre Camilo Castelo Branco e Agustina. (…) Está claro que teriam de nascer em dois tempos diferentes, pois a coexistência arrastaria um desastre, no sentido sideral desta palavra. Ainda assim, a relação entre eles é turbulenta, visceral, excitante. Vê-se o quanto Agustina admira o homem, como o entende, como o desmascara, como se irrita quase que domesticamente com as suas fraquezas de carácter. Se existe um par na literatura é este, não a Sand e o Musset, a quem o próprio espectáculo do amor prejudicou."

Do Prefácio de Hélia Correia

Fanny Owen é uma história verídica passada em 1850 entre José Augusto Pinto de Magalhães (proprietário da quinta do Lodeiro, poeta, rapaz triste e desinteressado da vida), Fanny Owen (filha do coronel Owen, auxiliar e conselheiro militar de D. Pedro aquando das lutas liberais) e o próprio Camilo Castelo Branco, com apenas vinte e três anos.




Camilo
Génio e Figura
Agustina Bessa Luís

Manoel de Oliveira adaptou-o ao cinema num filme com o título Francisca, recurso que pode complementar o estudo desta obra.

Aliás, Agustina escreve a obra Camilo - Génio e Figura que pode ser introduzido ao ler alguma das obras desse grande escritor muitas vezes relegado para segundo plano, embora faça parte das obras sugeridas pelo PLN.

Agustina Bessa-Luís, tal como Hélia Correia escreveu, tem uma devoção especial por Camilo Castelo Branco. A sua escrita, se não mesmo a sua concepção romanesca, deriva da camiliana, segundo alguns críticos literários. E sem dúvida que quem leu Camilo, encontra similaridades em Agustina.

O seu fascínio estende-se para além do romancista, e vai ao encontro do homem. Camilo teve uma vida atribulada, passional e impulsiva. Uma vida tipicamente romântica. 

Ao vasto panorama das obras sobre o autor de “Amor de Perdição”, soma-se este livro de Agustina Bessa-Luís. 

Em “Camilo: Génio e Figura” encontram reunidos os mais representativos textos camilianos da autora. Também, artigos, ensaios e conferências. E duas peças de teatro inéditas. 




Francisca
Manoel de Oliveira, 1981
argumento: Fanny Owen de Agustina Bessa Luís


Manoel de Oliveira adaptou Fanny Owen ao ao cinema no filme com o título Francisca, 1981, recurso digital que pode complementar o estudo desta obra em currículos escolares do secundário.


 um romance conduzido até mim através duma ideia que não me ocorreu a mim. Foi o caso de me terem pedido os diálogos para um filme cujo assunto seria Fanny Owen. Para escrever os diálogos tive que conhecer as circunstâncias que os inspirassem, e a história que os comporta. Assim nasceu o livro e o escrevi".

Agustina, in Prefácio

O filme baseia-se em factos verídicos ocorridos no século XIX, no meio de uma juventude boémia, mas intelectual do Porto, da qual fazia parte o escritor Camilo Castelo Branco. Camilo, de novo!

É a vida de um jovem, filho dum oficial inglês que se deixara enredar no amor, provocando-lhe o fatalismo e a desgraça. 

"Há uma ambiguidade em Francisca que a confunde, a perturba, envolvendo o espectador numa teia de excitações que não chegam a concretizar-se."

O olhar da câmara de Manoel de Oliveira percorre com lentidão os jardins, lagos, lugares que se personificam no olhar das personagens. 


Recursos digitais
: Ensino Secundário

Conversa/ vídeo:

Manoel de Oliveira e Augustina Bessa-Luís, um filme de Daniele Segre, 2005







Cinema/ Literatura

Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho são filmes baseados nas obras da escritora, Fanny Owen e A Corte do Norte



A Corte do Norte
João Botelho, 2008

Realizado por João Botelho e adaptado do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, o filme retoma um projecto antigo do malogrado realizador José Álvaro Morais (1943-2004).

Manoel de Oiveira e Agustina Bessa-Luís estabeleceram ao longo dos anos, uma relação de parceria e amizade. Manoel de Oliveira adaptou vários dos livros de Agustina ao grande ecrã. Além de Francisca (Fanny Owen); Vale Abraão (Vale Abraão); O Convento (As Terras do Risco); O Princípio da Incerteza (Jóia de Família); Espelho Mágico (A Alma dos Ricos).


Cinema e literatura sempre caminham bem, lado a lado, tal como literatura e música. Mas isso, levar-me-ia mais longe.

Nota: Todos estes DVDs poderão ser encontrados em mediatecas escolares ou biblioteca municipais.

Recursos educativos digitais que não devem ser ignorados pelos professores, na preparação do estudo destas obras de Agustina.
Queria apenas fazer alusão a uma obra que foi editada pela Fundação Gulbenkian, Ensaios e Artigos (1951-2007)que pode ser interessante para estudo de do texto informativo - artigo, ensaio - que acaba de ser editado e compilas três mil páginas da intervenção de Agustina Bessa-Luís na imprensa escrita ao longo de mais de meio século.



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Ensaios e Artigos (1951-2007
Série Cultura Portuguesa
edições Fundação Calouste Gulbenkian

Os três volumes reúnem crónicas, ensaios, alguns contos, vários textos que se enquadram na literatura de viagens, respostas a inquéritos, artigos da mais diversa índole, portanto. 

Não há organização que permita diagramar um tão vibrante caos, tantos sinais de uma relação expansiva do quotidiano. Agustina surge aqui como a imponente mulher-a-dias que dispensa a cada objeto da sua atenção um hausto vital. Estes textos têm o seu génio ao desbarato, e são exemplos da prodigalidade do intenso.






Agustina : Vida e Obra, exposição

Outros Recursos:

Em 2015, A CMPorto homenageou Agustina Bessa Luís na Feira do Livro desse ano. Agustina foi atribuida uma tília plantada na Avenida das Tílias. 

Escrevo para desiludir com mérito,
que é a maneira de se fazer lembrar
com virtude.

Agustina, Contemplação Carinhosa da Angústia

Exposição 2015:




A Exposição dedicada a Agustina - Agustina Bessa-Luís, vida e obra - esteve patente no foyer do Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett. 

Uma exposição documental sobre a vida e obra de Agustina Bessa­‑Luís que visitei como um roteiro literário das minhas próprias memórias de Agustina.

Deixo o trailer da exposição que poderá ser explorada em sala de aula. É possível que o Pelouro da Cultura da CMP possa ter outros recursos acerca desta exposição.


Mostra bibliográfica:




Mostra As múltiplas faces de Agustina Bessa-Luís
Está a decorrer uma Mostra de Tributo a Agustina Bessa-Luís, promovida pelo Município de Ponte do Lima que está a decorrer desde 02 Outubro e se prolonga até 23 Dezembro 2017.

Intitulada As múltiplas faces de Agustina Bessa-Luís, a mostra congrega dois painéis informativos que permitirão a visitantes conhecer o essencial da vida e obra da autora.

Uma oportunidade para professores e alunos de apreciar ainda uma selecção de livros da escritora amarantina que tem um lugar de destaque nas letras de expressão lusófona pela "singularidade do estilo e pela revolução da forma".

Escolas:

Recurso pedagógico que as escolas que existem por perto não devem perder. A organizar visitas de estudo. 

Contactos aqui

Excedi a dimensão deste post, mas escrever sobre Agustina Bessa-Luís para currículos escolares não é tarefa fácil.

Espero que vos sejam úteis estes recursos educativos, alguns deles digitais, para a preparação de lições de vários níveis curriculares.


"Fim - o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa."

Agustina Bessa-Luís, in Dicionário Imperfeito, 2008

G-Souto

14.11.2017
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