Monday, September 17, 2012

Leituras em Língua Portuguesa




Leituras em Português
http://www.livrariapoetria.com/

Foram muitas as gerações que leram comigo Saramago! Do ensino médio ao secundário, passando pelo ensino vocacional. Lemos por missão, lemos por prazer. A isso juntámos a admiração, mais tarde, quando foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998.

"Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único."

José Saramago

El País Semanal, Madrid, 29 de Novembro de 1998

Outros Cadernos de Saramago, blogue





José Saramago 1922-2010

Esta citação é uma das mais poéticas sobre o poder da leitura, o encantamento do livro. Saramago, embora muito controverso nas suas ideias, tinha esta prosa cativante que prendia aos seus livros, alunos e professores.

Para nós, leitores, educadores e estudantes, era o prazer, o estudo, o debate estético e crítico do valor inestimável da sua obra reflectida na Literatura Contemporânea Portuguesa. É afinal, por mérito, já que Fernando Pessoa esse era na sua época quase desconhecido, o único Prémio Nobel de Literatura numa vastíssima lista de autores portugueses de rara qualidade literária. Somos um país privilegiado na área das Letras.

Apesar de não se cingir às regras morfossintácticas da norma padrão da língua, a escrita de Saramago, talvez por isso mesmo, atraía as novas gerações. 

José Saramago, no entanto, defendeu o valor da Língua Portuguesa no momento em que se discutia o Acordo Ortográfico.

"A Língua Portuguesa é um "bem precioso" e os portugueses devem tratá-la melhor."

José Saramago, 23.04.08

José Saramago na literatura infanto-juvenil é menos conhecido. Mas este livro é encantador e poderá dar origem a interessantes projectos na sala de aula.


 

José Saramago | Editorial Caminho 2001

José Saramago não escreveu muito para crianças e adolescentes! Não que considerasse a literatura infantil e juvenil um género menor da Literatura. Pelo contrário! Pela dificuldade que sentia, como ele próprio escreveu no livro A Maior Flor do Mundo que começa assim:

" As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas.
Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena.

José SaramagoA Maior Flor do Mundo, Ed. Caminho, Dezembro 2002, 1ª edição**

Currículos: Língua Portuguesa 

Nível: 1º ciclo




"Tenho muita pena de não saber escrever histórias para crianças" e continuou desafiando a criatividade dos seus jovens leitores " Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?..."

José SaramagoA Maior Flor do Mundo
Ed. Caminho, Dezembro 2002, 1ª edição

"Contributo maior para o conhecimento do Oriente escrito por uma das personalidades de aventureiro mais interessantes do século XVI, a Peregrinação é seguramente a mais conhecida e estimada obra portuguesa de literatura de viagens de todos os tempos e o primeiro testemunho directo de um europeu sobre o Japão."




Este documentário realizado em 2007 para a inauguração do Museu do Oriente pode valorizar imenso a leitura de uma obra que não é muito acessível às novas gerações.

Concordo em tudo com as palavras de Vasco Graça Moura quando afirma que os jovens demonstram um crescente desinteresse pelos clássicos da literatura portuguesa.

É certo que uma geração nascida na era digital, tudo o que se associe   mais rapidamente aos 'sreen-touch' é bem apetecível. Mas os ensinamentos que advêm destas obras são importantes para transmitir aos estudantes a verdadeira dimensão da história e da cultura.

E, no entanto, fazem parte de uma geração que se vê de novo confrontada a partir em busca de novas aventuras. 

Apreciam sagas como Pirata das Caraíbas. Então nada melhor do que partir de um aventureiro para outro aventureiro. É aí que introduzimos a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

O longo relato estaria concluído por volta de 1578 (data referida na própria obra), mas apenas veio a ser publicado em Lisboa, por Pedro Craesbeeck, em 1614, a expensas de Belchior de Faria. Não por temor da Inquisição, mas apenas por falta de dinheiro para custear a impressão.

Fernão Mendes Pinto tentou durante os seus últimos anos de vida, sem sucesso, obter os apoios indispensáveis à edição da sua "Peregrinação": primeiro junto do Rei (a quem está feita a Dedicatória), depois dos Jesuítas e finalmente do grão-duque Cosme de Médicis.

O manuscrito original foi deixado por sua morte à Casa Pia dos Penitentes ou das Recolhidas de Lisboa e está perdido.

O exemplar da Biblioteca Geral ostenta um pertence manuscrito "Do Sñr Dom Duarte" que o coloca, sem dúvida, na biblioteca de um grande senhor português do final do século XVI ou inícios do XVII.»

Biblioteca Joanina*



Adaptação de Aquilino Ribeiro


Sinopse: A obra relata a chegada de Fernão Mendes Pinto ao Oriente. Nas suas crónicas, apresenta as expedições dos descobridores e conquistadores portugueses. A imagem dos navegadores portugueses que passa nesta obra é sobretudo a do herói como um anti-herói, capaz das piores façanhas para lograr os seus objectivos, geralmente pilhar e roubar as populações nativas para enriquecer e regressar à pátria.

A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto andou muito tempo afastada das escolas. Hoje faz parte do Plano Nacional de Leitura

Mas nem todos os alunos se sentem atraídos pela sua leitura. E esta adaptação de Aquilino Ribeiro, bem como o vídeo de Nuno Neves pode aproximar um pouco mais o autor do público jovem.



Adaptação em banda desenhada | José Ruy

Também a versão em banda desenhada atrai bastante as novas gerações para a obra de Fernão Mendes Pinto. A primeira edição em BD a preto-e-branco data dos anos 50 e é da autoria de José Ruy que começou a publicar a Peregrinação em BD, na revista da época Cavaleiro Andante.

Na altura, o desenhador achou importante recuperar temas históricos portugueses. Primeiro adaptou O Bobo, de Herculano, e depois Fernão Mendes Pinto.





O Bobo
Alexandre Heculano
Ilustração: José Rui
http://kuentro.blogspot.pt/

"É uma aventura apaixonante", disse ao JL, José Ruy. E explicou: "Na altura o Fernão Mendes Pinto era um herói quase maldito, e esta BD foi uma forma de dar a conhecer a personagem".

Apenas três décadas depois, passou a livro e ganhou cor. "As cores são sempre esbatidas, para que prevaleça o traço", explica. Em 2011, o livro ia já a caminho da quarta edição.

Currículos: Literatura Portuguesa | História

Nível: 2º | 3º ciclos


Os Lusíadas para gente nova
Vasco Graça Moura | Gradiva

"Para o fazer, Camões usou a oitava / Que é feita de oito versos a rimar. / Até ao sexto as rimas alternava, / Nos dois finais a rima vai a par. / Com oitavas assim, organizava / Essa história que tinha de contar / Em cantos que são dez e a nós, ao lê-los, / Espanta como pôde ele escrevê-los."

Vasco Graça Moura, Os Lusíada para gente nova, Introdução

"Os Lusíadas para gente nova" da autoria de Vasco Graça Moura, 440 anos depois da primeira publicação de "Os Lusíadas", é a simplificação poética desta enorme obra  da literatura portuguesa para as gerações mais jovens. 

"Lusíadas para gente nova" é uma adaptação inovadora da epopeia camoniana, que tenta tornar mais simples a leitura da obra por parte dos mais novos e que tem o apoio do Plano Nacional de Leitura.




Vasco Graça Moura

"Camões é o mais importante autor da língua portuguesa" e, na opinião de Vasco Graça Moura, isso deve tornar indispensável a leitura desta obra de Camões cuja leitura integral foi retirada do programa de Língua Portuguesa.

As novas gerações, os estudantes até pelos ensinamentos podem retirar de 'Os Lusíadas' uma compreensão de Portugal, da sua história e da sua relação com o mundo, e contactar com uma utilização esplendorosa da nossa língua. 

As primeiras dezoito estrofes, sob o título de “Sabemos muito pouco de Camões”, são uma introdução ao poema e ao próprio poeta, abordando itens como:
  • escassez biográfica de Camões  
  • destaque merecido pela sua obra, 
  • conteúdo histórico do poema, 
  • conceito de epopeia e de herói colectivo, 
  • estrutura externa do poema, 
  • apresentação das partes que constituem um poema épico, 
  • planos narrativos, 
  • contextualização histórica, 
  • justificação do uso da mitologia, 
  • contributo camoniano para o enriquecimento da língua portuguesa, 
  • influências clássicas
  • assunto que vai dominar o poema.
Além disso, os estudantes "podem perceber por que razão o poema de Camões não é só uma epopeia da aventura marítima portuguesa, mas também um desvendamento do mundo e do conhecimento deste".

"Todos os comentários, explicações e interpretações são feitos em oitava rima, em estrofes semelhantes àquelas de que se compõe o poema épico de Camões."

Vasco Graça Moura 

Mas oiçamos o autor...


Embora se trate de "uma síntese, uma adaptação 'antológica' que reduz em cerca de dois terço a extensão total do poema (383 estrofes em relação às 1102 do original), estrutura os episódios mais conhecidos em termos bastante simplificados, procurando explicar, comentar, interpretar de um modo acessível as passagens principais da epopeia, mas "fá-lo também em oitava rima de matriz camoniana", de modo a que "os leitores mais novos possam ‘entrar’ mais fácil e amenamente na matéria do poema.
"Havendo supressões, é evidente que há muita coisa que fica de fora. Mas espero que o prazer da leitura seja um elemento importante para atrair os leitores, sobretudo os adolescentes, para a leitura do original".
Vasco Graça Moura

Currículos: Língua Portuguesa | História | Geografia

Nível: 3º ciclo | Secundário (10º ano)


"Pretende-se que o aluno se torne progressivamente mais consciente dos saberes e estratégias de leitura que já possui e de como  pode mobilizá-los para  aumentar a sua eficácia enquanto leitor crítico."

Programa Ensino Básico, DGIDC

Ficam assim três sugestões de leitura curricular: duas sugestões dos clássicos da literatura portuguesa para ensino básico e secundário, e uma sugestão literatura contemporânea para o ensino primário que poderão apoiar a compreensão de algumas temáticas que agora se encontram no currículo escolar.

Uso de dispositivos móveis e redes sociais:

Não será necessário referir que estas leituras devem ser apoiadas em dispositivos móveis (portáteis, smartphones, outros), actividades interactivas,  e na utilização das redes sociais  como Facebook ou Twitter, com fins pedagógicos, com acompanhamento dos professores, via contas-turma.


Espero que seja uma boa ferramenta de trabalho para as vossas propostas de leitura a divulgar nas vossas aulas curriculares de Língua Portuguesa (materna e língua estrangeira).

Note: Ces oeuvres littéraires et les activités peuvent être adaptées à des cours de Portugais (langue seconde ou langue étrangère).

Note: The children's and youth's novels as the activities may be a suggestion for your lessons (Portuguese Foreign Language).





A função dos escritores, poetas e prosadores não é mesmo abrir caminho para o sonho através da criatividade!

"A escrita é a pintura da voz"

Voltaire

GSouto

17.09.2012
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Referências:

*Video: Documentário uma visão sobre a Peregrinação, documentário realizado em 2007 para a inauguração do Museu do Oriente.

**José Saramago, A Maior Flor do Mundo, tradução em várias línguas (available in different languages)

http://josesaramago.blogs.sapo.pt/20647.html

Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto | Biblioteca Joanina
http://bibliotecajoanina.uc.pt/obras_raras/perigrinacao

A Peregrinação em BD
http://clix.visao.pt/a-peregrinacao-em-bd=f584162

Lusíadas para Gente Nova, Camões trocado por (e para) miúdos
http://jpn.c2com.up.pt/2012/05/23/lusiadas_para_gente_nova_camoes_trocado_por_e_para_miudos.html

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