Sunday, November 11, 2007

eLearning Lisbon 2007 Conference : some notes





Depois da eLearnig Conference - Towards a learning society, Bruxelas, 19-20 Maio 2005, da UE eLearning Conference 2006 - Technology Enhanced Learning – Catalyst for Change and Innovation, Espoo, Finlândia 04-05 Julho 2006, foi a vez de me deslocar a Lisboa em busca de novas paisagens no elearning.

Desta vez bem mais perto, a eLearning Lisboa 2007 - Connecting Innovation to People. teve lugar no Centro de Congressos de Lisboa e decorreu entre 15-16 Outubro 2007.



Claudio Dondi, Diogo Vasconcelos, Paul Lefrève,  
Markku Markulla, Rogério Carapuça
eLearningLisboa 2007

O programa era promissor, temáticas aliciantes, oradores bem conhecidos!


Não estava muito certa de ser seleccionada. Devido aos imensos afazeres de arranque de um novo ano lectivo, deixara quase para último dia a minha inscrição.

Tentadora era, no entanto, esta nova oportunidade de poder participar, ouvir, partilhar conceitos sobre os actuais paradigmas da evolução do e-learning, decorridos dois anos após as conferências de Bruxelas e da Finlândia.





Sob Presidência Europeia, Portugal não perderia a oportunidade de dar boa imagem do avanço na Educação e Formação pelo debate e intercâmbio de ideias entre todos os participantes.

Um conferencista prometia desde logo um diálogo vasto, já que criara uma grande expectativa com a publicação do seu último livro!





Doctor Marc Roesenberg
eLearning Lisboa 2007
Fotografia: ©GSouto*
 
Marc Rosenberg, o guru do elearning, consultor, escritor e orador de prestígio, é um veterano da formação, aprendizagem organizacional, elearning, gestão do conhecimento e melhoria do desempenho. Mas outros havia que me chamavam a atenção!


Slide : Marc Rosenberg
elearning Lisboa 2007

Marc Rosenberg proferiu um apresentação onde falou do novo paradigma da aprendizagem, da necessidade de pensar para além dos cursos e das salas de aula, e da sua visão do blended learning.





Slide : Marc Rosenberg
elearning Lisboa 2007

No artigo “What Lies Beyond E-Learning?” Marc Rosenberg abordou as 6 principais transformações do e-learning nos próximos anos:

“For the most part, the e-learning changes and challenges that are fast approaching will help propel the field into a new evolutionary phase—if we’re open-minded and ready to recognize them. Essentially, we will witness six fundamental, and somewhat interrelated, transformations in the field over the next few years:

1. E-learning will become more than “e-training.”
2. E-learning will move to the workplace.
3. Blended learning will be redefined.
4. E-learning will be less course-centric and more knowledge-centric.
5. E-learning will adapt differently to different levels of mastery.
6. Technology will become a secondary issue.”


Não poderia ficar espectadora à distância, como já me acontecera com a eLearning 2006, na Finlândia. Nela só pude participar na Conferência Virtual. Embora tivesse sido convidada para me deslocar à Finlândia, esse convite nunca me chegou às mãos.

Depois de me inscrever online na eLearning Lisboa 7, aguardei! E continuei a entregar-me por inteiro aos novos alunos que me aguardavam nas salas de aula!

Essas eram as minhas preocupações do momento! Dedicar-me ao ensino e aprendizagem de novos digital kids, à consecução de projectos, e à integração destes novos aprendentes em:
Em fase de grande azáfama, organizei todas as minhas actividades de modo a deslocar-me a Lisboa. Exaustivo certamente seria! O ano lectivo começara num clima de grandes tensões internas e muito stresse!
 
Isso implicou esforço pessoal e económico! Mas, saí enriquecida de um encontro que apresentou e debateu os actuais caminhos neste reinventado mundo do elearning!
 
E a minha constante sede de actualização de percursos pedagógicos, nesta vontade inabalável de cativar os jovens para a escola do século XXI, não deixa que me afaste destes acontecimentos!

O perfil dos alunos mudou radicalmente nos últimos anos, é um facto. Há que saber acompanhá-los, orientá-los nos caminhos dos saberes para que adquiram autonomia nas competências que se pretendem para a nova sociedade do conhecimento. E que alarguem os horizontes das suas aprendizagens, segundo os novos paradigmas sociais, culturais e intelectuais.

Patrocinada pela União Europeia, e organizada por Portugal, a eLearning Lisboa 2007 reuniu oradores e participantes, na sua maioria professores e investigadores, vindos essencialmente da Europa. Marc Rosenberg, esse veio  dos Estados - Unidos.

"I always enjoy hearing about what is going on in Europe with regard to e-learning. While I understand that government can’t do everything, I am impressed with the value the EU has placed on technology-based learning.(...)

Marc Rosenberg

Organizações como a Microsoft e Cisco Systems não podiam deixar de se fazer representar. Diogo Vasconcelos, director da Cisco Portugal.

Destas, gostaria de salientar Kevin Johnson manager do sector para Educação na Europa, pela Cisco, Portugal, bem como o Diogo Vasconcelos. Pela Microsoft, Elena Bonfiglioli que nos pôs a par do investimento feito no nosso país, ligado ao programa de Cidadania.

Todas as intervenções tiveram como base as mais actuais experiências do eLearning como factor de assegurar a Coesão Digital e Social, requalificar a Sociedade do Conhecimento, e valorizar todos os cidadãos pelo uso das competências digitais de modo a melhorar a qualidade de vida e incentivar o lifelong learning.

Houve momentos teóricos, academicistas, alguns profundamente monótonos e nada originais. Notou-se uma repetição clara de oradores em várias sessões!

Penso que para a dimensão de participantes inscritos, talvez tivesse sido interessante, alargar prazos de modo a permitir um maior número de speakers.

As sessões variaram, mas assistiu-se, em algumas delas, a comunicações já ouvidas.


Professor Etienne Wenger
eLearning Lisboa 2007
 Fotografia: ©GSouto*

Destaco com prazer Yves Punie, Markku Markulla, Etienne Wenger, e em extremos discutíveis, mas provocatoriamente interessantes, Wim Veen.

Estes os oradores que se evidenciaram pela qualidade das suas comunicações e pelo interesse que despertaram no debate com os participantes!

E claro está! Marc Rosenberg o keynote speaker e excelente comunicador foi o centro das atenções!

Fiquei satisfeita de me sentir enquadrada, pelo caminho que percorro, baseado na minha experimentação, ao ouvir estes oradores, ao longo de dois dias.

Conclui-se então que o blended learning (combinação de ensino presencial - em sala de aula - com ensino semi-presencial - ferramentas ou recursos online) é já um conceito praticado com sucesso e talvez o mais positivo nas comunidades de aprendizagem.


NetWorks

Mas, regresso à escola. E aí... o sonho altera-se bastante! O meu entusiasmo esmorece! É que a escola continua a viver num ritmo muito diferente! E difícil é gerar novas mentalidades!

É urgente a Escola actualizar os currículos, de acordo com a nova tipologia de alunos, sob pena de se ver confrontada com um crescente insucesso, por parte dos alunos, e a desmotivação dos Professores que querem e sabem agir com processos bem actuais, apresentando conceitos e ferramentas de ensino e aprendizagem diversificadas, mas a quem não são dados os meios e... lhes cortam as oportunidades!

Espaços mais curtos de aula e o seu natural prolongamento com recursos educativos digitais concebidos e estudados segundo o novo perfil de aprendentes, numa vertente dinâmica e desafiadora, quer para Professores quer para alunos.

A cultura socializou-se! Os blogues, wikies, moodle, second life, as comunidades de prática vieram generalizar a partilha de informação.



Second Life

A nova geração que Rosenberg apelidou de "google generation" (e nós que privamos com ela nas escolas, sabemos como isto corresponde à realidade!) quer aprender melhor, em contextos que a desafiem e a compreendam, numa variante bem mais virada para a actualidade com que vive fora da escola!

Queremos continuar a utilizar os métodos descontextualizados dos alunos?

"É urgente educar para aprender e não para ser ensinado!"

É preciso ajudar a lidar com a informação, não para copiar, mas sim para avaliar, seleccionar, tratar!

É motivador desafiar para a partilha de conhecimentos em comunidades de aprendizagem na escola e para além dela, online!

Deixo então três palavras de Rosenberg:
  1. Start small
  2. Think big
  3. Be ready to skill

Some impressions about my participation at eLearning Lisboa 2007 - Connecting Innovation to People.

Great Keyspeakers! Marc Rosenberg, Yves Punie, Etienne Wenger, Roberto Carneiro, and other good speakers enriched so much my experience on elearning.

Wonderful keynotes, some interesting workshops, such a great network on elearning and the future of education.

G-Souto

11.11.2007
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Wednesday, June 13, 2007

Educação para a Sexualidade: curriculos




Fotografia: Valentina Petrova|AFP 2006

Incluir ou não incluir a Educação para a Sexualidade nos currículos escolares. Eis a questão!?

Há pouco dias, melhor no dia 1 de Junho - Dia Mundial das Crianças - a RTP2 passou, pelos vistos, em hora de desenhos animados, isto pelas 20H30, um filme sobre Sexualidade para maiores de 7 anos que deveria ser visto com acompanhamento familiar.

Houve protestos sobre o filme e sobre algumas cenas nele contidas.

Não o vi, por isso não vou debruçar-me sobre o seu conteúdo. Prefiro sim, explanar algumas das ideias que me suscitam estas questões.

Embora não directamente ligada a esta problemática, já que os meus currículos passam sobretudo pela Língua e Literatura Portuguesa e pela Educação para a Cidadania, este tema acaba por atravessar quase permanentemente as minhas aulas.

Os temas abrangentes, na análise do texto literário propriamente dito, nos debates, trocas de ideias, questões e interrogações que se geram em torno de textos informativos, e/ou formativos, assuntos de cultura geral, ligados à actualidade que a força e o lugar ocupado na vida dos jovens pelos media e pela Internet têm, é impossível manter afastado da sala de aula a temática da Sexualidade.

E acho saudável! É pelo diálogo esclarecedor que se chega à apreensão do verdadeiro conhecimento do saber ser, saber estar, para saber construir e também saber não cair.

Das várias questões que colocam, Pais e Educadores, penso que acima de tudo é bom relembrar que as crianças e os adolescentes vivem com seus Pais, e que não compete à Escola "ultrapassar" a função da família.


Adolescência
O Professor Daniel Sampaio, segundo li, acabou por afirmar no comentário do filme que os problemas da adolescência e a prevenção da gravidez precoce começam pelo acompanhamento adequado da criança na infância, logo, em ambiente familiar.

Uma razão de peso para a Escola não se sobrevalorizar e muito menos para as famílias não se desresponsablilizarem  das suas competências.

É aos Pais que compete estar atentos! Não aos Professores estar preocupados porque os Pais podem não estar atentos!

Não há que subverter papéis! Eles são os Pais, nós somos os Professores, moderadores, algumas vezes (muitas vezes!) e apoio dos adolescentes. Quantas vezes, os "alertadores" dos Pais para muitos problemas que observamos, no nosso dia-a-dia, em contactos com os adolescentes.

A Escola é, e deverá sempre ser um complemento da família nestas questões de educação (princípios, não aprendizagens e construção do conhecimento).

Não deve ser nunca a substituta da família na função educativa e formativa dos jovens.

Complementar sim, substituir não! Daí que haja actualmente tantos enganos!

Devo dizer que sou a favor da inclusão do currículo de "Educação para a Sexualidade" no percurso escolar dos alunos, mas nesta base. Sempre e só nesta  base!


A Cabeça no Ar
Manuel A. Pina
Quasi Edições

(...)
(embora sem ser)
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer.
E isto tudo a acontecer!
(...)

Manuel António Pina, A Cabeça no Ar, O Pássaro da Cabeça, Quasi Edições

G-Souto

13.06.2007
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Wednesday, November 8, 2006

Blogues em Educação: experiência pedagógica web 2.0

 



Blogging

Participei como conferencista no 3º Encontro Nacional e 1º Galaico-Português de Weblogs que teve lugar na Reitoria da Universidade do Porto, 13-14 Outubro 2006.

Foi uma experiência interessante! A minha comunicação tinha por tema a aplicação de blogues no ensino em alargamento de aprendizagens e enriquecimento curricular.




O encontro "procurou juntar investigadores, utilizadores e interessados em weblogs em Portugal e na Galiza."

Na temática Aplicações Práticas de Blogues (ensino, organizações, investigação), apresentei um intervenção intitulada  O Blog no enriquecimento curricular- Blog dos Caloiros. 




Avatar G.Souto

O artigo foi posteriormente publicado na Revista das Ciências e Tecnologias de Informação e Comunicação do CETAC.MEDIA e divulgado online em prisma.com

BlogdosCaloiros foi uma das primeiras experiências da introdução de recursos digitais educativos na aprendizagem de Língua Portuguesa.

Alguns pensamentos:

Os blogues são sítios web fáceis de criar e encorajam imenso a interacção autor/leitores.

Podem ser um espaço de ensino interactivo excelente que dá lugar a um diálogo pessoal e colectivo, num espaço de  fresca liberdade.

A diversidade de blogues ligados ao ensino é grande! Pode integrar os blogues dos professores, blogues dos alunos, blogues das disciplinas (Agauded & Baltazar, 2005) e os blogues das escolas.”

Os blogues fornecem um grande potencial como ferramenta no âmbito do ensino e aprendizagem, já que podem adaptar-se a qualquer área, nível educativo e metodologia.*

Utilizo os blogues, nas áreas curriculares de Língua Portuguesa; Francês LE;  e Cidadania (transcurricular).

Os resultados têm sido excelentes! Os alunos sentem-se atraídos pelas novas tecnologias e nada melhor do que pôr as tecnologias ao serviço da construção de conhecimento.

Os blogues de que sou autora, alguns em colaboração com um grupo de alunos, têm portanto carácter científico-pedagógico e cultural.

São o prolongamento do ensino presencial e dos media tradicionais, complementado por um projecto e-learning Kidzlearn Lugares & Aprendizagens (Janeiro 2002) de que sou também autora, numa perspectiva de alargamento de saberes e aquisição de novas competências.

É certo que alguns alunos ainda não têm acesso à Internet e outros preferem ficar 'pendurados' no Messenger, Myspace ou Tagen, e agora também no YouTube e Hi5.

Mas, os mais interessados, possuidores de uma rápida capacidade cognitiva e de um ritmo de aprendizagem assaz invulgar, visitam diariamente os  seus blogues para conhecer e participar de novos posts e desvendar novos conceitos.




Levantam dúvidas sobre actividades de reforço curricular ou deixam um comentário, sentindo-se conectados com a Professora em tempo real quase 24 horas.A qualquer hora e em qualquer lugar, levantamm questões interessantes, tiram dúvidas sobre alguma matéria leccionada na sala de aula, e solicitam apoio de carácter prático para qualquer actividade escolar.

Afinal, foram estes jovens alunos que me motivaram a criar espaços web com actividades em alargamento de competências,  e enriquecimento curricular num clima de aprendizagem interactiva.

Posso concluir, numa análise cuidada, que tem sido uma aprendizagem muito apelativa e gratificante, em espaço aberto, dinâmico, apoiado num diálogo informal e muito fresco nesta nova relação professora/alunos.

É sem dúvida a vontade, sempre presente, de cativar uma geração que vive imergida na web que me leva a criar espaços para a descoberta de uma aprendizagem interactiva e em constante mutação.




GSouto Avatar

This post in Portuguese language is about a pedagogical experience, presented in a scientific article at a Portuguese/ Spanish Conference "Web Blogs in Education" (Secondary education) at Universidade do Porto, October 2006, published online prisma.com, nr 3 .

BlogdosCaloiros (Portuguese mother language and second language, 2005) and BlogSkidz (French foreign language, 2005). 

These two pedagogical projects are one of the first experience introducing web 2.0 in school education, not only in Portugal.

Nota: Kidzlearn Lugares & Aprendizagens foi desactivado em Maio 2018


G-Souto

8.11.2006
actualizado Maio 2018
Copyright © 2006G-Souto'sBlog, gsouto-digitalteacher.blogspot.com®


Creative Commons License
Blogues em Educação: experiência pedagógica web 2.0 by GinaSouto is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.

Referências:

Andrade, António - Comunidades de Prática,  Uma Perspectiva Sistémica, IQF -Nov@Formação, Nr 5, Junho 2005

Tiscar, Laura, Blogs de alumnos, 08.06.2005

Tuesday, July 25, 2006

Escolas : Livros & Pop singers ? Estratégia(s) para jovens leitores (bilingual publication) !

 
 




Madonna 
As Rosas Inglesas
(livro infantil)
créditos: Getty Images






Paul McCartney
Lá no Cimo das Nuvens
livro infantil, 2005
créditos: Paul McCartney






Kylie Minogue 
The Showgirl Princess
(livro infantil)


Gostaria, em jeito de partilha, de partilhar recursos e actividades, e falar sobre o impacto de figuras ligadas à música, cinema, e outros meios de comunicação, na  motivação dos alunos para o gosto pela leitura, sobretudo aqueles que gostam menos de pegar num livro e ler.


Não, desta vez não vou escrever sobre Harry Potter. J.K.Rowling era professora. E passou pelo meu país como professora de Inglês. 

Hoje quero escrever sobre cantores Pop que se dedicam, neste momento, a escrever para crianças e adolescentes.





Lá no Cimo das Nuvens
Paul McCartney, 2005
Geoff Dunbar & Philip Ardagh


Ensino:

Talvez deva ser mais clara! Pegar em livros escritos por cantores como Madonna, Paul McCartney ou Kylie Minogue, livros infanto-juvenis editados recentemente e ler curtos excertos, no início ou quase no final de aulas curriculares de Línguas, nomeadamente em aulas curriculares de Língua Portuguesa ou Línguas Estrangeiras, e criar "Cantos de Leitura", captou novos leitores que não se mostravam muito receptivos para a actividade de ler.


Com esta pedagogia de leituras 'diferentes', isto é, não 'catalogadas', tenho captado muitos alunos para a competência da leitura. Formei assim um boa plêiade de cativados leitores que passaram a fruir do enorme encanto de ouvir ler histórias, de ler ou ler em voz alta com gosto, e até de saborear comprar livros com a sua própria 'semanada'.






A Pequena Sereia
Hans Christian Andersen

Nesta perspectiva mais aberta, criei uma nova dinâmica que não fez, de modo algum, afastar os alunos de histórias de encantar, contos tradicionais ou literatura infantil e juvenil de referência. Estes jamais serão ultrapassados, já que a beleza e o valor imanentes são de difícil equiparação. 


Fazem parte do imaginário colectivo da humanidade. Avós, pais, já os leram e recordam com alegria junto dos netos e/ou filhos. 

Relembro, por exemplo uma actividade que atraiu os jovens leitores para leituras quase esquecidas.





HCA Jubileu 2005
Hans Christian Andersen 1805-1875


Foi há bem pouco tempo que decorreram as Comemorações do Jubileu do Nascimento de Hans Christian Andersen (1805-2005). Quase todos os países do mundo aderiram às manifestações culturais projectadas pelo governo dinamarquês e pela HCA's House e pelo Museum Odense.

A Biblioteca Nacional de Portugal participou com uma esplêndida Exposição dedicada a Hans Christian Andersen, agora virtual. E a partir destes recursos educativos digitais, desenvolvemos em sala de aula, momentos encantadores de leitura. Veja-se os projectos desenvolvidos aqui

Com que magia, os alunos releram alguns dos contos da sua infância, já contados por avós pu pais!






A Fada Oriana
Sophia de Mello Breyner
créditos: Figuerinhas


Mas, de modo algum deixaria esquecidas as mais belas histórias que Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu para crianças.


Continuam a fazer parte dos meus itinerários pedagógicos, quase poéticos e, cada (re)leitura me abre novos caminhos de exploração vivencial que procuro transmitir com emoção e empenhamento aos meus alunos que vão redescobrindo ou adquirindo competências de leitura em aulas curriculares.


Evocação belíssima de extasiante imaginação, frondosa e nobre lexicologia, em que os aromas se remisturam de memórias de infância e saberes da autora, abrindo assim espaços fantásticos na criatividade de jovens de várias gerações. Esta é a Sophia que continua a deixar-nos encantados.






A Floresta
Sophia de Mello Breyner
créditos: Figueirinhas


São referências fundamentais da literatura infantil e juvenil portuguesa, universal, traduzidas já em várias línguas.


Estava, no entanto, perante uma geração diferente: jovens ligados ao futuro, ao imediato, às tecnologias - mp3, iPods, Myspace ou Tagen. Chegavam às escolas os nativos digitais.


Uma coisa traziam em comum! Dificilmente liam com gosto, e juntando a isso um certo desencanto, absorvido pelo consumo rápido e descartável, de jogos, redes sociais, e ainda na altura 'consumidores' de filmes e séries na televisão.


Trazê-los para o gosto natural da leitura, manusear e ler livros impressos, continua a ser a minha utopia. Utopia que se tornou uma realidade. Os alunos voltaram a gostar de ler, com muito gosto! 


E notou-se ainda mais durante e após a pandemia, via TikTok ! Imaginem !


Sou uma leitora compulsiva, inabalável, apaixonada, e vivo imersa no encanto das histórias contadas pelas páginas aromatizadas de um livro impresso.


Colocados perante o meu enorme gosto de ler, transmitido mesmo sem querer, oferecendo-lhes outras leituras, a partir de obras tradicionais e histórias escritas por cantores Pop, ei-los devoradores de livros, também!


Ganhei uma batalha linda! Os nativos digitais, mesmo os leitores menos motivados, já adoram ler!






  • Actividades:

O meu primeiro passo para cativar os novos alunos, foi perfumar os últimos momentos ou curtas pausas de dispersão, em aulas longas - os 'malvados' blocos de 90 minutos - com a leitura de curtos excertos de livros, sempre diferentes. E deixo que fiquem em suspenso...








As Rosas Inglesas, vol 2 
Madonna
Edições Dom Quixote


As minhas primeiras obras alternativas foram As Rosas Inglesas, de Madonna e Lá no Cimo das Nuvens de Paul McCartney, editados por editoras de grande prestígio, como Publicações Dom Quixote e Editorial Presença, respectivamente. 





The Showgirl Princess
 Kylie Minogue
 illustrations: Swan Park
photos of Minogue: William Baker


Posteriormente apareceu o livro de Kylie Minogue que, nesse momento, travava uma luta contra o cancro. Uma fotomontagem da cantora muito ao gosto das alunas que sonham vir a cantar.


Certo é que esta ligação livros/música teve e tem uma enorme influência no imaginário dos jovens leitores.


Com aquele brilho quase imperceptível no olhar, via-os trazer para as aulas outros livros que iam tentando descobrir por si próprios - o que acho óptimo! - pois eu só pretendia despertá-los para essa aventura maravilhosa. Ler!


Faziam-no com encantamento e grande alegria espelhada nos rostos. E envolviam-me com gestos soltos, vozes chilreantes:


- Professora, já comprei O meu primeiro livro Dom Quixote!

- Fui à biblioteca requisitar O Príncipezinho e estou a ler!

- Descobri lá em casa as Fábulas de La Fontaine. Posso ler?

Os mais indecisos, ainda perguntavam:

- Ó Professora! Quero comprar um livro! Tem alguma sugestão?


E lá ia relembrando outras histórias, já que tinha e continuo a ter a preocupação linda de passear frequentemente pelas livrarias, na descoberta de novos livros para lhes poder oferecer como leituras.

Ao mesmo tempo, o meu sorriso rasgava-se como um céu pintado de azul indigo.

(texto original, publicado em 05.02.2006)


Nota de rodapé - Levava sempre um livro diferente na pasta e, quando começava as aulas, poisava-o distraidamente sobre a mesa, entre os livros e outros documentos. 

Os indigos, ou nativos digitais, curiosos como só eles, vinham de mansinho espreitar os meus gostos... fazia de conta que nem dava por nada! Eles adoravam e fugiam de novo para os seus lugares.

- Professora! Hoje não lê?! - perguntavam em determinado momento.


Os nativos digitais passaram a trazer, tantas vezes, um livro e colocavam-no bem visível em cima da suas mesas.


Ah! Também já se habituaram a distinguir a importância de uma 1ª edição! Não acham uma delícia?


  • Books & Singers: English version for teachers






Madonna reading Mr Peabody's Apples
credits: Getty Images

Madonna, Paul McCartney, or Kylie Minogue loved writing children's books. That's was nice! Young people love to read some books written by singers. 

  • Education:

On the first part of this publication I explained in Portuguese (my mother language) how I could motivate poor readers, including books written by Pop singers into Languages curricula and the importance of reading aloud in the classroom. 





High in the Clouds
Paul McCartney, 2005
Geoff Dunbar & Philip Ardagh


Young students, the first digital natives were not very found about reading books. They loved the first smartphones, iPods, internet and games.


As a strategy, I included some books written by Pop singers into school curriculum: The English Roses or Mr. Peabody's Apples by Madonna or High in the Clouds by Paul McCartney:






The Showgirl Princess
 Kylie Minogue, 2006
 illustrations: Swan Park
credits: Getty Images


Later, Kylie Minogue's book Showgirl Princess. She was fighting a cancer and this magical picture book sees Kylie become a Showgirl Princess - with the help from her friends!

The book is aimed at girls aged six and upwards and is based on Minogue's life.

A gorgeous illustrated and photomontage features exclusive new photos of Kylie teamed with gorgeous illustrations after her cancer battle and bring to life Kylie's very first book for children. 






The Showgirl Princess
 Kylie Minogue, 2006
 illustrations: Swan Park
photos of Minogue: William Baker


Students love iconic celebrities who write for children and youth. Some that I've read are good; others as sluggish as the career lull that inspired them.

The importance of this children's books written by celebrities is crucial for some special students. These books are often the best motivation to poor readers between our students.

G-Souto

25. 07.2006

update 15.09.2024
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Escolas : Livros e Pop singers ? Estratégia(s) para jovens leitores (bilingual publication) by G-Souto is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.